terça-feira, 24 de agosto de 2010

Mercado imobiliário em favelas começa a se profissionalizar

Pesquisa também desfaz a imagem de que esse mercado é baseado na informalidade. Ao contrário, negociações costumam ser mais rígidas.

Com a implantação nos últimos anos de programas governamentais de urbanização de favelas, como o “Favela-bairro”, lançado pela prefeitura do Rio de Janeiro em 1994, os imóveis nas comunidades cariocas estão ficando cada vez mais valorizados. Em algumas favelas, o preço do metro quadrado para a venda ou locação já é superior ao praticado nos bairros. Mesmo assim, há uma clientela cativa, disposta a pagar um preço alto pelos imóveis, seja porque não consegue atender aos requisitos contratuais fora das favelas, como ter um fiador ou comprovar a renda, ou porque não quer se distanciar de amigos e parentes.

“Em função desse aquecimento, também está aumentando a especulação imobiliária. Alguns moradores começaram a exercer o papel de corretores, sem formação específica, e já há até aqueles que buscam se profissionalizar”, conta o doutor em planejamento urbano e regional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Alex Ferreira Magalhães, que realizou uma pesquisa sobre compra e a venda de imóveis em favelas do Rio Janeiro.

O trabalho, que será apresentado na 10ª Conferência Internacional da Sociedade Latino-Americana de Real Estate, que acontece de 15 a 17 de setembro, em São Paulo, desfaz a imagem de que o mercado imobiliário em favelas é baseado na informalidade. “Minha pesquisa mostra que as negociações imobiliárias nessas comunidades costumam ser, em alguns aspectos, mais formais do que as que ocorrem fora delas”, conta Magalhães, que é graduado em direito e se interessou pelo assunto por ter exercido advocacia em favelas.

Segundo ele, os negócios imobiliários nas favelas são vistos, de uma maneira geral, como rudimentares, grosseiros e até mesmo ilegais. No entanto, eles estão mais próximos da lei do que se imagina. “Alguns contratos de compra e venda são verbais e outros escritos, mas são válidos juridicamente”, afirma. Graças a uma mudança na legislação brasileira em 2001, os moradores dessas comunidades adquiriram o direito sobre os imóveis que construíram para fins de moradia, e o próprio sistema judiciário já reconhece a propriedade do imóvel no julgamento da partilha de bens em ações de divórcio ou falecimento.

Para fazer valer esse direito, algumas formalidades seguidas na comercialização de imóveis nas favelas são mais rígidas que no mercado imobiliário tradicional. “É o caso da exigência de duas testemunhas para a assinatura do contrato que já foi abolida lá fora, mas continua valendo nas favelas”, conta. Já o modo correto de se fazer a negociação, entendido tanto pelo vendedor como pelo comprador, é com o aval do presidente da associação de moradores.

Reconhecido como uma autoridade local, ele exerce os papéis de coordenador do mercado imobiliário e de mediador de conflitos. Em uma eventual discussão sobre a posse de um determinado imóvel, por exemplo, é ele quem poderá afirmar, juntamente com as testemunhas, a quem a pertence a propriedade. “A publicidade na compra de um imóvel em uma favela funciona como uma espécie de garantia para o comprador”, explica Magalhães. “Na ausência de outros meios, isso dá maior segurança e diminui os riscos de perder o bem”, afirma.

Falta de registro – A maioria dos imóveis situados nessas áreas públicas, no entanto, não está registrada em cartório, o que impede a obtenção de financiamento bancário para a compra de um imóvel. “Quem compra imóveis nas favelas precisa conseguir recursos por seus próprios meios, como pedir um empréstimo para o patrão, sacar o saldo do Fundo de Garantia ou financiá-lo diretamente com o proprietário”, conta Magalhães. Apesar disso, as negociações de imóveis nas favelas continuam em alta. Trata-se de um mercado em expansão, que movimenta R$ 3 bilhões por ano só no Rio de Janeiro, onde, do total de 5,5 milhões de habitantes do estado, aproximadamente, um milhão vive em favelas.

Serviço: A 10ª Conferência Internacional da Sociedade Latino-Americana de Real Estate (Lares, na sigla em inglês de Latin American Real Estate Society) será realizada de 15 a 17 de setembro, no Centro Brasileiro Britânico, em São Paulo (SP). O evento contará com palestras, apresentação de pesquisas, cases, visitas técnicas, entre outras atividades de interesse tanto de pesquisadores, professores e estudantes de real estate como de empresários e profissionais do setor imobiliário. O tema desta edição será “O crescimento sustentável do mercado latino-americano de real estate”.

As inscrições estão abertas e pode ser feitas no site www.lares.org.br

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Acadêmica Agência de Comunicação

Carlos Freitas

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rígidas.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Seminário: Projeto de Habitação de Interesse Social Sustentável

Evento que tem como alguns dos objetivos discutir inovação tecnológica e construtiva, adequação ambiental e social em habitação de interesse social, que será realizado amanhã na Universidade Mackenzie, terá transmissão simultânea via internet.


Este evento em conjunto com o Concurso Público de Arquitetura para Tipologias de HIS representam ações que o CBCS - Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, Secretaria de Habitação do Estado de São Paulo, IAB - Instituto Brasileiro de Arquiteto e a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie estarão promovendo para propor novos caminhos para a questão habitacional.

O seminário terá a participação do Eng Lair Krähenbühl Secretário da Habitação do Estado de São Paulo e Presidente da CDHU, Arqta Rosana Ferrari - Presidente do IAB-SP, Eng. Marcelo Takaoka - Presidente do CBCS, Arqto Valter Caldana-Diretor de FAU Mackenzie.

O painel 1 trará aspectos diretrizes de eficiência enérgica, uso racional de água e seleção de materiais e fornecedores com critérios de sustentabilidade, já no segundo painel serão apresentados diretrizes de inserção urbana e urbanismo, desenho universal e acessibilidade, dimensão sócio cultural dos usuários da habitação de interesse social sustentável e a relação entre custos e a sustentabilidade.

Todo o evento será transmitido simultaneamente via internet. O acesso por ser feito através do site da CBCS (http://www.cbcs.org.br/).

PROGRAMAÇÃO


8:00hs Credenciamento

8:30hs Abertura:
Eng. Lair Krähenbühl Secretário da Habitação do Estado de São Paulo e Presidente da CDHU

Arqta Rosana Ferrari
Presidente do IAB-SP

Eng. Marcelo Takaoka - Presidente do CBCS
Mackenzie - Arqto Valter Caldana-Diretor de FAU Mackenzie

PAINEL 1

9:10hs Moderador:Arq.Paulo Lisboa /CBCS
Debatedor:Arq. Silvio Santana/Mackenzie

9:20hs Diretrizes de projeto para eficiência energética em edificações (Prof. Roberto Lamberts - UFSC/CBCS)

9:40hs Diretrizes de projeto para uso racional de água em edificações (Prof. Orestes Marracine Gonçalves - Poli/ CBCS)

10:00hs Diretrizes para a seleção de materiais e fornecedores
(Prof. Vanderley John - Poli/CBCS)

10:20hs Perguntas público

10:50 hs Intervalo

PAINEL 2

11:20hs Moderador: Profa. Perola Felipete Brocaneli/ Mackenzie
Debatedor: arqto João Whitaker /vice presidente IAB SP

11:30 hs Diretrizes de Inserção Urbana e o Projeto Urbanístico
(Arqta Regina Célia de Almeida e Arqta Denise Ruprecht)

12:00 hs Desenho Universal e Acessibilidade
(Arqta Irene Rizzo – CDHU)

12:15 hs Dimensão sócio-cultural do usuário
(Economista Sandra Mendonça - CDHU e Arqta Viviane Frost - CDHU)

12:45 hs Avaliação dos custos e a Sustentabilidade (Arqta Irene Rizzo - CDHU)

13:00 hs - Perguntas público

13:30 hs - Encerramento

SERVIÇO

Data: 19/08/10
Local: Rua da Consolação, 930 - Consolação - São Paulo - SP (Auditório do Prédio 10 Mackenzie)
Informações para inscrição no e-mail: iabsp@iabsp.org.br
Fone: 11 3259 6597
Site: www.iabsp.org.br

Estacionamentos próximos ao local: Rua da Consolação e na Rua Maria Antônia
Transmissão simultânea pelo link: http://itv.netpoint.com.br/avsc/


Informações para Imprensa: Vivian Blaso
e-mail: vivian.blaso@cbcs.org.br
(11) 6339 - 1710 / Celular: (11) 9616 – 5360

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Meio Ambiente vai apresentar texto alternativo ao de Rebelo

São Paulo, sexta feira, 06 de agosto - Jornal Folha de São Paulo
DE BRASÍLIA

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse ontem em São Paulo que a discussão sobre o Código Florestal é "extemporânea" e que vai fazer uma nova proposta de reforma na lei.
O Ministério do Meio Ambiente se opõe ao novo texto do código, do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), aprovado mês passado por uma comissão especial da Câmara.
Segundo João de Deus Medeiros, diretor de Florestas do ministério, apesar de o deputado já ter modificado seu projeto original, pontos "problemáticos" permanecem.
A intenção é tentar corrigi-los em forma de um substitutivo ou de destaques ao projeto, quando o assunto for discutido no plenário da Câmara -em data incerta.
Um deles é a anistia a desmatadores. Rebelo diz que ela tem base em decreto de 2009 do próprio ministério, o do programa Mais Ambiente. "O projeto subverte isso, porque dá essa possibilidade e ao mesmo tempo diz que o desmatamento consolidado fica mantido", diz Medeiros. "Como recuperar assim?"
Outros pontos que a proposta deve tentar alterar são a redução das áreas de preservação permanente e a possibilidade de supressão de remanescentes florestais com espécies ameaçadas.
Apesar de o código atual prever que essas áreas podem ser desmatadas se houver compensação ambiental, a Lei da Mata Atlântica, posterior ao código, as protege. "Entendemos que com a nova proposta essa lei fica comprometida", diz Medeiros.
Ele cita uma extinção decorrente disso: uma bromélia que só ocorria em uma região de Santa Catarina, inundada pela hidrelétrica de Barra Grande. (CLAUDIO ANGELO)