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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

“A poluição mata mais em São Paulo que AIDS e tuberculose somadas”

Por Luana Caires, em 24.02.11

No Brasil, 80% da população está nas áreas urbanas, mas os efeitos da falta de políticas ambientais e do crescimento desordenado das metrópoles na saúde dos seus habitantes ainda são pouco discutidos. Tentando mudar essa realidade, o Instituto Saúde e Sustentabilidade lança o livro Saúde e Meio Ambiente: o desafio das metrópoles. O Ecocidades conversou sobre esse assunto com o coordenador da obra, Paulo Saldiva, professor titular de Patologia da Faculdade de Medicina da USP e membro do Comitê da OMS que definiu os novos padrões de qualidade do ar. Na área metropolitana de São Paulo, estima-se um excesso de 7 mil mortes por ano decorrentes de problemas causados pela poluição do ar – número maior do que os de AIDS e tuberculose somados. O livro será lançado nesta sexta-feira, 25 de fevereiro, em São Paulo*.

Como surgiu a ideia de lançar o livro?

Esse projeto do Instituto Saúde e Sustentabilidade pretende reunir em um só lugar informações de múltiplas fontes, para permitir às pessoas se inteirarem sobre o tema. A ideia era pegar os milhares de trabalhos científicos que estudam o efeito das condições de vida nas megacidades sobre a saúde. Isso engloba falar sobre ilhas de calor, o perigo de morar em regiões com riscos de inundações e deslizamentos e a política de formar cidades cada vez menos compactas – o que obriga a construção de uma enorme infraestrutura de mobilidade e de fornecimento de água e esgoto. A ideia era traduzir isso em uma obra clara, para quem não tem formação técnica no assunto e que oferecesse uma visão global dos problemas. Queremos que os cidadãos vejam essa fotografia. No momento em que a discussão é trazida para perto das pessoas, elas se interessam.

Nesse trabalho são abordados problemas principalmente de São Paulo. Por quê?

Nós escolhemos São Paulo primeiro por ser uma megalópole que teve um crescimento desordenado e, segundo, por contarmos com bom um banco de dados sobre ela. Cada grande cidade tem seu diagnóstico particular e complexo. Aqui a velocidade do trânsito é baixa, as ilhas de calor estão preservadas, o nível de poluição está demonstrado. Todo mundo sabe o que faz mal e o remédio não é tomado. Depois, gostamos de São Paulo e queremos melhorá-la. É muito fácil gostar da Gisele Bündchen, ela não precisa nem abrir a boca… O duro é você gostar de São Paulo, que tem muito problemas e nenhuma beleza natural evidente.

Se o remédio é conhecido, por que não é usado?

Os interesses econômicos dentro da cidade de São Paulo são muito poderosos. É o lugar onde um quarto do combustível do Brasil é vendido, é onde se encontram as sedes dos maiores grupos financeiros e é onde, digamos, a polêmica entre a aparente divisão entre desenvolvimento e sustentabilidade ocorre com maior intensidade. Existem soluções para tudo, você pode facilmente colocar combustível limpo na frota de São Paulo. Ou poderíamos pegar a Avenida Paulista e dividi-la em duas metades, com corredores exclusivos para ônibus, como fez o prefeito de Bogotá. Mas também existe um problema cultural. As pessoas ainda estão esperando uma solução milagrosa, uma solução tecnológica. E sozinha a solução tecnológica não vai resolver. É preciso mudar hábitos. Se isso não acontecer, os gestores terão que tomar medidas muito impopulares. Imagine o dia em que utilização de automóveis na Paulista for restringida. Acho que vai ter uma forte campanha contra. E o prefeito que fizer isso não vai se eleger mais para nada, nem para síndico de prédio. Ninguém em sã consciência vai tomar medidas que comprometam para sempre o seu futuro político.

Qual é a magnitude do problema da poluição do ar?

No Brasil, de modo geral, está melhor porque houve melhoria tecnológica. Mas em algumas áreas piorou. É o caso do campo, por conta das queimadas, uso intensivo de pesticidas e, também, por menor fiscalização. Nas grandes cidades tende a melhorar, mas ela ainda é suficiente para causar problemas. Estima-se um excesso de 7 mil mortes ao ano na região metropolitana de São Paulo e 4 mil na capital. Esse número é maior do que os de AIDS e tuberculose somados, que são considerados problemas de saúde pública. A própria Organização Mundial de Saúde (OMS) diz que, entre as causas evitáveis, a poluição do ar mata mais do que cigarro. Embora o cigarro seja muito pior do que a poluição do ar, o seu risco se aplica apenas aos fumantes, enquanto a poluição atinge a todos.

Como a poluição afeta a saúde do indivíduo?

A poluição do ar age da mesma maneira que o cigarro, só que em menor escala. Causa e piora doenças respiratórias, causa câncer de pulmão, doenças coronarianas e aumenta o número de partos prematuros…. A diferença é que quando você põe todo mundo para respirar ar poluído, aumenta o número de vulneráveis. A poluição do ar é a mais democrática das poluições. No caso da água contaminada, só é afetado quem tem contato direto. É possível comprar água engarrafada ou ter uma estação de tratamento. Não existe uma estação de tratamento do ar, nós temos que lidar com o ar que nós temos.

O que o paulistano deve fazer para se proteger?

Os cuidados que cada um pode tomar vão depender da sua condição financeira. Do ponto de vista da exposição, é recomendado evitar os horários de pico e minimizar o seu tempo de permanência nos corredores de tráfego. Mas se o indivíduo bate ponto fica meio difícil. O que se pode fazer é praticar um pouco mais de exercício físico, que é anti-inflamatório e melhora as defesas contra a poluição. Também é bom beber mais água, porque tanto a parte respiratória quanto a cardiovascular se beneficiam da hidratação. Em relação à alimentação, deve-se ingerir frutas e tudo o que envolve betacaroteno e vitamina E. Há estudos mostrando que crianças e adultos adeptos a uma dieta rica em antioxidantes naturais mantêm uma saúde melhor.

Quanto tempo de vida pode perder uma pessoa que mora em São Paulo?

Ela pode sofrer uma redução de mais ou menos 9 a 10 meses para cada 10 microgramas de material particulado fino inalado. Isso significa que a expectativa de vida em São Paulo aumentaria em um ano e meio caso a gente tivesse a poluição de Recife, por exemplo.

E qual é o impacto que a poluição do ar no orçamento público destinado à saúde?

Na cidade de São Paulo a poluição do ar custa, considerando as internações no SUS, de 180 a 200 milhões de reais por ano. Se multiplicar esse valor por três, ou seja, cerca de 600 milhões de reais, você chega ao número do SUS somado ao das redes conveniadas. Se contabilizar a mortalidade precoce, que contabiliza a perda do valor de anos produtivos, esse custo ultrapassa 2,5 bilhões de reais. A conta que se faz é que, no nível em que estamos hoje – de poluição intermediária –, para cada real investido em controle de poluição você economiza de R$7 a 8 em gastos de saúde nos cinco anos subsequentes. Não existe nenhum investimento público hoje com taxa de retorno tão alta. Defendemos igualmente que esse enorme custo da poluição, hoje pago por todos, deveria ser pago por quem polui. Agora, não adianta ficar só apelando para a responsabilidade social e ambiental das empresas. O compromisso delas é diferente, é com o lucro. Ninguém vai prejudicar os seus acionistas em nome de uma causa ambiental vaga.

Que tipo de medidas de curto prazo podem ser tomadas para melhorar a situação da cidade?

Embora com atraso, algumas já começaram, como a expansão da malha do metrô. É possível investir em transporte público de qualidade e na criação de corredores de ônibus. O governo municipal já proibiu, a partir de 2018, sua frota de utilizar combustíveis fósseis. Houve um avanço grande recente, mas ele foi circunstancial, porque o Secretário Municipal do Meio Ambiente é médico. Assim, certas providências não foram fruto de um diálogo institucional, mas de um feliz acaso. E boa política pública, de longo prazo, não se faz a partir de acasos felizes.

Existe um descompasso entre a produção científica e a formulação de políticas públicas?

Sim, a Universidade de São Paulo está entre os cinco grupos que mais publicam no mundo sobre poluição do ar e saúde e, apesar disso, nós não temos conseguido controlar de forma adequada a poluição, mostrando que a universidade falhou em criar mecanismos que influenciem as políticas públicas. Além disso, a qualificação dos nossos gestores, do ponto de vista técnico, não é das melhores – e olha que nós temos uma agência ambiental muito sofisticada que é a Cetesb. Fazer vigilância ambiental ainda não entrou na agenda do Brasil. E não somos apenas nós. Pouco se faz na América Latina e África mesmo que, de acordo com a OMS, as condições ambientais sejam responsáveis por 20% a 30% das causas evitáveis de doenças e mortes.

Qual a razão desse imobilismo?

Aqui a gente separou saúde e meio ambiente. Floresta faz parte da agenda ambiental, cidade não. Tiramos o homem do elenco das espécies a serem preservadas. Além disso, nós, pesquisadores, temos muita dificuldade de diálogo com o sistema público. Na academia, o horizonte é de longo prazo. Eu posso fazer um projeto que demora seis anos para ser concluído e não depende da mudança de prefeito. Então, você progride, mesmo a passos lentos. A burocracia interna das universidades, incluindo a USP, faz com que as pesquisas andem em velocidade de lesma paralítica. Mas quando chega a parte do governo, a velocidade é de lesma paraplégica, porque lá o peso dos interesses econômicos é muito maior. Mesmo assim, a produção científica faz diferença. Não fomos o único fator, mas as informações desse grupo de pesquisa da USP influenciaram a revisão dos padrões de qualidade do ar da cidade de São Paulo. Acho que se São Paulo pode mudar, o Brasil também pode.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Novo relógio de luz ajuda a economizar

Fonte: Rede Globo - Jornal Hoje - 17.02.2011

Brasil - Novo medidor de luz ajuda o consumidor a economizar energia elétrica. A ideia é trocar os medidores de todo o país por esse equipamento que permite um controle maior dos gastos. Atualmente, o consumo é medido uma vez por mês. Mas, aos poucos, os relógios tradicionais de medição serão trocados por modelos inteligentes. "Como esse medidor é conectado com a concessionária, os consumidores têm informação em tempo real sobre o seu consumo", explica o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone da Nóbrega.

Serão duas peças: o medidor e uma caixa, que permite a visualização dos dados de consumo. O coordenador executivo de Redes Inteligentes Light-Cemig, Fábio Toledo, demonstrou que três sinais, nas cores vermelha, amarela e verde, indicam alto, médio e baixo consumo, respectivamente. Toledo explica que alguns aparelhos, como o microondas, consomem muita energia elétrica, e podem rapidamente alterar o sinal verde para o vermelho.

O sistema também pode mostrar o consumo em reais. Sem o microondas, o consumo fica em R$ 0,16, enquanto com o uso do equipamento, o gasto passa para R$ 0,60. Depois de três dias, o aparelho começa a mostrar o consumo médio e o provável custo da energia consumida no fim do mês, segundo o especialista. Isto ajuda o consumidor a alterar seus hábitos de consumo para reduzir custos.

Com o medidor, a Aneel pretende estabelecer, pelo menos, três tarifas diferentes ao longo do dia. A tarifa cheia ficaria apenas para o horário de pico no país, e as outras duas viriam com desconto. O horário de pico das 19h às 22h, tarifa com maior desconto iria das 22h às 16h e a com desconto menor iria das 16h às 19h, parecido com o que ocorre na telefonia. Isto permitirá também a conta de luz pré-paga, também nos mesmos moldes do telefone. As cidades do Rio de Janeiro(RJ) e Sete Lagoas (MG) devem começar a testar o sistema ainda neste ano

Investimento de 2% do PIB mundial em um novo modelo econômico pode combater a pobreza e gerar um crescimento mais verde e eficiente


Novo relatório do PNUMA destaca Políticas Públicas Sustentáveis e Trajetória de Investimento Rumo à Rio +20

De acordo com o relatório lançado hoje pelo PNUMA, investir dois por cento do PIB mundial em dez setores estratégicos pode ser o pontapé inicial para a transição rumo à uma Economia Verde de baixo carbono e eficiência de recursos.

Apoiada por políticas nacionais e internacionais inovadoras, a soma, que atualmente correspondente a cerca de 1,3 trilhão de dólares por ano, fomentaria o crescimento da economia global a níveis provavelmente superiores aos dos atuais modelos econômicos.

O relatório sugere um modelo econômico que evitaria riscos, choques, escassez e crises cada vez mais inerentes na atual economia de alta emissão de carbono. Sendo assim, contesta os mitos de que investimentos ambientais vão contra o crescimento econômico, trazendo à tona a má alocação de capital.

O relatório mostra a Economia Verde como um tema relevante não apenas para as economias mais desenvolvidas, mas também como um catalisador-chave para o crescimento e erradicação da pobreza nas economias em desenvolvimento, nas quais, em alguns casos, cerca de 90% do PIB está ligado à natureza ou a recursos naturais tais como a água potável.

O relatório traz como exemplo resultados de políticas que redirecionam cerca de 1,3 trilhão de dólares por ano em investimentos verdes e por meio de dez setores estratégicos, o equivalente a aproximadamente 2% do PIB mundial. Em termos comparativos, esse montante equivale a 10% do investimento total anual em capital físico.

Atualmente, o mundo gasta entre 1% e 2% do PIB global em uma série de subsídios que, geralmente, prolongam a insustentabilidade do uso de recursos tais como combustíveis fósseis, agricultura, água e pesca.

Grande parte dessas ações contribui para intensificar os danos ambientais e ampliar a ineficiência na economia global. Diminuí-las ou eliminá-las poderia gerar múltiplos benefícios no processo de liberação de recursos para financiar uma transição rumo à Economia Verde.

Renda e emprego

Enquanto a transição global para a Economia Verde contribuiria para o desenvolvimento e para o aumento da renda per capita refletida nos atuais modelos econômicos, ela fomentaria, também, a redução da pegada ecológica em 50% até 2050.

O relatório Economia Verde afirma que, a curto prazo, a queda dos níveis de emprego em alguns setores como o da pesca será inevitável caso não ocorra a transição rumo à sustentabilidade.

O investimento, em alguns casos financiado pelo corte de subsídios nocivos, terá de se readaptar a alguns setores de força de trabalho global para assegurar uma transição justa e socialmente aceitável.

O relatório defende que, ao longo do tempo, o número de empregos "novos e decentes criados" - que vão desde o setor de energia renovável até o de agricultura sustentável – compensarão aqueles perdidos na antiga economia de alto carbono.

Ainda segundo o relatório, um investimento anual de cerca de 1,25% do PIB mundial em eficiência energética e energias renováveis poderia reduzir a demanda global por energia primária em 9% em 2020 e em 40% até 2050.

A economia de capital e de gastos com combustível na geração de energia, sob o cenário da Economia Verde, seria de 760 bilhões de dólares entre os anos de 2020 e 2050.

O relatório, intitulado Rumo a uma Economia Verde: Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza, também destaca as enormes oportunidades para desacoplar a geração de resíduos do crescimento do PIB, incluindo, em seu lugar, ações de recuperação e reciclagem.

  • Por intermédio de uma política de Responsabilidade Prolongada do Produtor, a República da Coreia implementou uma regulamentação sobre produtos, que vão das baterias e dos pneus até às embalagens de vidro e papel, originando um crescimento de 14% nas taxas de reciclagem e um benefício econômico de 1,6 bilhões de dólares.

  • No Brasil, a reciclagem já gera retornos de 2 bilhões de dólares por ano, ao mesmo tempo que evita a emissão de 10 milhões de toneladas de gases de efeito estufa; aqui, uma economia de reciclagem plena valeria 0,3% do PIB.

O relatório, compilado pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUMA), em colaboração com economistas e especialistas de todo o mundo, tem como um dos seus objetivos a promoção e defesa dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU – que vão da redução pela metade das pessoas com fome à redução pela metade das pessoas sem acesso a água potável.

Outra meta abrangente é a diminuição das emissões de gases de efeito estufa para níveis muito mais seguros, de 450 partes por milhão até 2050.

As conclusões foram apresentadas hoje aos ministros do meio ambiente de mais de 100 países, na abertura do Fórum Global de Ministros do Meio Ambiente/Conselho de Administração do PNUMA.

O relatório, que compõe um estudo macroeconômico publicado online, visa a acelerar o desenvolvimento sustentável e integra a contribuição do PNUMA para as preparações para a conferência Rio+20 que se realizará no próximo ano no Brasil.

O relatório completo está disponível online a partir de hoje para comentários e para que países enviem novos exemplos de Economia Verde. A equipe da Iniciativa Economia Verde do PNUMA planeja apresentar o relatório em capitais de todo o mundo ao longo dos próximos meses.

A iniciativa pretende, ainda, identificar em primeira mão a melhor forma de ajudar os países e comunidades a iniciarem a transição para uma Economia Verde no contexto das suas circunstâncias nacionais.

Achim Steiner, Subsecretário Geral da ONU e Diretor Executivo do PNUMA, disse: “O mundo está de novo a Caminho do Rio, mas em um planeta muito diferente daquele da Cúpula da Terra que se realizou no Rio de Janeiro em 1992.”

“A Rio 2012 surge em um contexto de rápida redução de recursos naturais e de alterações ambientais aceleradas – desde a perda de recifes de coral e florestas à crescente escassez de terra produtiva; desde a necessidade urgente de fornecer alimento e combustível às economias até os prováveis impactos das alterações climáticas descontroladas”, acrescentou.

“A Economia Verde, conforme documentado e ilustrado no relatório do PNUMA, proporciona uma avaliação centrada e pragmática de como os países, as comunidades e as empresas iniciaram uma transição para um padrão mais sustentável de consumo e produção. Está arraigada nos princípios de sustentabilidade acordados no Rio de Janeiro em 1992, ao mesmo tempo que reconhece que os sinais fundamentais que impelem as nossas economias devem evoluir em termos de políticas públicas e respostas dos mercados”, disse.

“Devemos avançar para além das polarizações do passado, entre desenvolvimento e meio ambiente, entre Estado e mercado e entre norte e sul”, declarou o senhor Steiner.

“Com 2,5 bilhões de pessoas vivendo com menos de dois dólares por dia e com um aumento populacional superior a dois bilhões de pessoas até 2050, é evidente que devemos continuar a desenvolver e a fazer crescer as nossas economias. No entanto, esse desenvolvimento não pode acontecer à custa dos próprios sistemas de apoio à vida na terra, dos oceanos e da atmosfera que sustentam as nossas economias e, por conseguinte, as vidas de todos nós”, acrescentou.

“Economia Verde é uma resposta à questão de como manter a pegada ecológica da humanidade dentro dos limites do planeta. Visa a relacionar as demandas ambientais para a mudança de rumo aos resultados econômicos e sociais – em particular, o desenvolvimento econômico, o emprego e a igualdade”, disse o senhor Steiner.

Pavan Sukhdev, Economista Sênior do Deutsche Bank e Diretor da Iniciativa Economia Verde do PNUMA, disse: “Os governos têm um papel central na mudança das leis e das políticas e no investimento de bens públicos para possibilitar a transição. Ao fazê-lo, podem também desbloquear os bilhões de dólares do capital privado em benefício de uma Economia Verde.”

“A aplicação inadequada de capital está no centro dos atuais dilemas do mundo e há medidas rápidas que podem ser tomadas, começando, literalmente, hoje – desde a diminuição e eliminação dos mais de 600 bilhões de dólares de subsídios globais para combustíveis fósseis ao reencaminhamento dos mais de 20 bilhões de dólares de subsídios inadequadamente atribuídos a entidades envolvidas em atividades de pesca insustentável”, disse.

“Uma Economia Verde não visa a sufocar o crescimento e a prosperidade, mas sim a restabelecer a ligação com a verdadeira riqueza, reinvestir ao invés de simplesmente explorar o capital natural e beneficiar muitos em lugar de poucos. Visa também a uma economia global que reconheça a responsabilidade intergeracional das nações para deixar um planeta saudável, funcional e produtivo aos jovens de hoje e aos que estão para nascer”, acrescentou o senhor Sukhdev.

Notas aos editores:

Conclusões Principais e Alguns Setores-Chave

O PNUMA define como economia verde “aquela que resulta na melhoria do bem-estar humano e da igualdade social, ao mesmo tempo que reduz significativamente os riscos ambientais e as carências ecológicas”.

Uma grande parte dessa transição envolve políticas e investimentos que desassociam o crescimento do atual consumo intensivo de materiais e energia.

Embora tenha havido alguma desassociação nos últimos 30 anos, os resultados têm sido modestos demais para colocar o planeta em uma rota sustentável e para conservar recursos finitos.

Papel Político dos Governos

Políticas públicas inovadoras e criativas serão vitais para gerar condições facilitadoras que, por sua vez, podem desbloquear os mercados e guiar os investimentos do setor privado no sentido de uma transição para a economia verde.

Entre elas, incluem-se:

  • Quadros normativos sólidos, priorização de despesas e aprovisionamento do Estado em áreas que estimulem setores da economia verde e limitem despesas que provoquem perdas de capital natural.

  • Tributação e mecanismos inteligentes de mercado que alterem os padrões de despesa dos consumidores e promovam a inovação verde.

  • Investimentos públicos em reforço e formação de capacidades, paralelamente a um fortalecimento da administração internacional.

As políticas públicas também podem assegurar que os benefícios de um setor mais ecológico desencadeiem benefícios de sustentabilidade mais amplos em outros setores.

  • Em geral, o relatório sugere que a maior fatia dos propostos 2% do PIB global deverá originar-se do capital privado, porém reforçada por montantes mais modestos do dinheiro público.

Do setor pesqueiro ao imobiliário – Dez setores fundamentais para a Economia Verde

Os dez setores identificados no relatório como fundamentais para tornar a economia global mais verde são: agricultura, construção, abastecimento de energia, pesca, silvicultura, indústria, turismo, transportes, manejo de resíduos e água.

Dos 2% do PIB propostos no relatório, os montantes investidos para o esverdeamento por setor seriam:

  • 108 bilhões de dólares para a agricultura, incluindo as pequenas explorações;

  • 134 bilhões de dólares para o setor imobiliário, por meio da melhoria da eficiência energética;

  • Mais de 360 bilhões de dólares para o abastecimento de energia;

  • Quase 110 bilhões de dólares para a pesca, incluindo a redução de capacidade das frotas mundiais;

  • 15 bilhões de dólares para a silvicultura, o que ajudaria também no combate às alterações climáticas;

  • Mais de 75 bilhões de dólares para a indústria, incluindo a de produtos manufaturados;

  • Quase 135 bilhões de dólares para o setor de turismo.

  • Mais de 190 bilhões de dólares para os transportes.

  • Quase 110 bilhões de dólares para a gestão de resíduos, incluindo a reciclagem.

  • Um montante semelhante para o setor da água, incluindo questões de saneamento.

Alguns destaques setoriais:

Agricultura

Uma Economia Verde investiria entre 100 e 300 bilhões de dólares por ano, até 2050, na agricultura, a fim de alimentar nove bilhões de pessoas e, ao mesmo tempo, promover uma melhor gestão da fertilidade dos solos e uma utilização sustentável da água para o aperfeiçoamento da gestão biológica de plantas.

  • Há cenários que indicam um crescimento de 10% nas produções globais dos principais produtos agrícolas, com base nas atuais estratégias de investimento.

  • Isso é equivalente a elevar e manter os níveis de nutrição em 2.800-3.000 quilocalorias por pessoa até 2030.

  • O desperdício global de alimentos traduz-se em 2.600 quilocalorias diárias por pessoa; por esse motivo, a transição para uma Economia Verde deve abordar esses desafios, que estão ligados a vários dos setores em questão.

Construção

O setor imobiliário é o que mais contribui para as emissão global de gases de efeito estufa, com um terço da utilização global de energia por escritórios e habitações.

O setor da construção é responsável por mais de um terço do consumo global de recursos, incluindo 12% do uso de água doce.

Com base no IPCC, estima-se que, caso a situação atual não se altere, a pegada climática do setor imobiliário vai duplicar para 15,6 bilhões de toneladas de dióxido de carbono até 2030 ou 30% do CO2 total relacionado à energia.

  • Uma combinação entre a aplicação das tecnologias existentes e o crescimento de abastecimento de energias renováveis no contexto dos cenários de Economia Verde poderia reduzir drasticamente as emissões, com uma poupança igual a 35 dólares por tonelada de CO2.

  • Com as políticas governamentais corretas, poderiam ser obtidas, a nível mundial, poupanças de energia de um terço nos edifícios urbanos até 2050, com um investimento anual de 300 bilhões até um trilhão de dólares.

Pesca

Subsídios estimados em cerca de 27 bilhões de dólares por ano geraram uma capacidade de pesca duas vezes maior que a capacidade dos peixes de se reproduzirem.

O relatório sugere que o investimento na gestão fortalecida das pescas, incluindo a criação de áreas marinhas protegidas e a desativação e redução da capacidade das frotas, bem como treinamento, pode recuperar os recursos pesqueiros do planeta.

  • Um investimento sustentado por medidas políticas resultaria em um aumento das capturas das atuais 80 milhões de toneladas para 90 milhões de toneladas em 2050, embora se registraria uma queda entre o momento atual e 2020.

“Estima-se que o valor atual dos benefícios de tornar mais verde o setor pesqueiro seja de três a cinco vezes o investimento necessário”, diz o relatório.

  • As perdas de empregos a curto e médio prazo podem ser minimizadas concentrando os cortes em um pequeno número de empresas pesqueiras de grande dimensão e não nas pequenas frotas artesanais.

  • Prevê-se que o número de empregos no setor pesqueiro volte a aumentar em 2050 à medida que as reservas esgotadas se recuperem.

Silvicultura

As florestas geram bens e serviços, que proporcionam os meios de subsistência econômica de mais de um bilhão de pessoas, reciclam nutrientes vitais para a agricultura e oferecem refúgio a 80% das espécies terrestres.

O desflorestamento é atualmente responsável por quase 20% das emissões mundiais de gases de efeito estufa.

“Por esse motivo, a redução do desflorestamento pode ser um bom investimento: por si só, o lucro proveniente da regulação climática consequente da redução pela metade do desflorestamento global seria três vezes maior que o custo”, diz o estudo.

O relatório analisa a contribuição que um investimento de 15 bilhões de dólares por ano – ou 0,03% do PIB global – pode significar para tornar mais verde este setor, incluindo o lançamento de maiores investimentos no mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD).

Tais investimentos também podem ajudar a aumentar a dimensão de mecanismos de mercado já testados, incluindo a madeira certificada, a certificação dos produtos da floresta tropical, o pagamento a favor dos ecossistemas e as parcerias baseadas nas comunidades.

  • Ao longo do período de 2011 a 2050, o investimento anual de 15 bilhões de dólares, ou 0,03% do PIB, aumentaria o valor acrescentado à indústria florestal em mais de 20% em relação aos padrões atuais.

  • O relatório sugere que a transição para uma Economia Verde aumentaria as terras florestadas (atualmente com quase 4 bilhões de hectares) em mais de 3% até 2020, 8% até 2030 e mais de 20% até 2050, em relação à situação existente.

A priorização de tais recomendações seria uma importante contribuição para 2011, o Ano Internacional das Florestas da ONU.

Transportes

Os custos ambientais e sociais dos transportes em termos de poluição do ar, acidentes e congestionamento do tráfego podem custar, atualmente, cerca de 10% do PIB de um país ou região. As políticas para tornar mais verde o setor dos transportes abrangem desde o fomento à utilização de transportes públicos e não motorizados até as que promovem a eficiência de combustíveis e veículos menos poluentes.

Na Europa, as análises indicam que os investimentos em transportes públicos rendem benefícios econômicos regionais superiores ao dobro do seu custo.

A redução do teor de enxofre dos combustíveis para transportes na África Subsaariana pode levar à economia de quase um bilhão de dólares por ano em custos de saúde e afins.

  • O investimento anual de 0,34% do PIB global até 2050 no setor de transportes pode reduzir a utilização de petróleo em 80% em relação à situação atual – elevando a taxa de emprego em 6%, sobretudo na expansão dos transportes públicos.

Resíduos

Prevê-se que o mundo gerará 13 bilhões de toneladas de resíduos municipais e outros até 2050; atualmente, apenas 25% de todos os resíduos são recuperados ou reciclados.

  • Um investimento de 108 bilhões de dólares por ano no “esverdeamento” do setor de resíduos pode conduzir à reciclagem plena de resíduos eletrônicos, em contraste com o atual nível de 15%.

  • Tal investimento poderia impulsionar a triplicação da reciclagem global de resíduos até 2050 e o corte de mais de 85% nos montantes destinados a aterros sanitários em comparação com o cenário atual.

  • Entre 20% e 30% das emissões de gases de efeito estufa relacionadas ao metano poderiam ser reduzidas até 2030 se poupanças financeiras associadas forem realizadas.

A prevenção e o manejo de resíduos também permanecem como um grande desafio para a fabricação de produtos, onde abordagens como a renovação da produção e da concepção dos produtos e processos pode desempenhar um papel importante na redução de resíduos e na utilização de recursos.

  • Se a vida útil de todos os produtos fabricados fosse ampliada em 10%, por exemplo, o volume de recursos extraídos poderia registar um corte semelhante.

  • A reciclagem de calor residual por meio de instalações de produção combinada de calor e eletricidade (CHP, na sigla em inglês) apresenta um elevado potencial para o uso eficiente de energia. A indústria de papel e celulose possui instalações de CHP que permitem uma economia superior a 30% no uso de energia primária.

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-A íntegra do relatório Rumo a uma Economia Verde: Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza – Síntese para Tomadores de Decisão e os capítulos completos da versão preliminar, estão disponíveis para download no endereço: www.unep.org e www.unep.org/greeneconomy.

-O site também apresentará uma compilação de estudos de casos em Economia Verde de países e regiões de todo o mundo.

-Para acessar material em português, www.pnuma.org.br e www.twitter.com/PNUMABrasil

-A 26ª sessão do Fórum de Ministros do Meio Ambiente/Conselho de Administração do PNUMA pode ser consultada em: http://www.unep.org/gc/gc26/

-A página web da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável 2012 (ou Rio+20) é: http://www.uncsd2012.org/

-Para informações sobre o Ano Internacional das Florestas 2011:

www.un.org/en/events/iyof2011/

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Empresas definem estratégia para Rio+20

por Prima Pagina


As associações empresariais já se organizaram para defender seus interesses na Rio+20, a conferência das Nações Unidas que, 20 anos depois da Rio-92, vai avaliar os progressos ambientais feitos no período, identificar os desafios atuais e apresentar propostas para tentar assegurar o desenvolvimento sustentável do planeta.

A conferência, apoiada pelo PNUD, ocorrerá em maio do ano que vem, no Rio de Janeiro. O setor privado será representado pela Ação Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável 2012, formada pelo Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, pela Câmara Internacional de Comércio e pelo Pacto Global, uma iniciativa das Nações Unidas em prol da responsabilidade social. O chefe da delegação será o presidente do Bank of America, Chad Holliday.

"Na avaliação dos governos sobre como fortalecer e fazer avançar os compromissos para a Rio+20, é oportuno levar em conta o forte progresso feito pelas empresas e o potencial futuro das soluções empresariais na superação dos desafios da sustentabilidade", disse Holliday após um encontro entre o grupo e membros das Nações Unidas.

Os líderes empresariais consideram que o setor tem um papel fundamental na agenda ambiental dos próximos anos. Para o Pacto Global, por exemplo, a ação responsável do setor privado pode alavancar a economia ao fornecer valores e soluções práticas que promovam o desenvolvimento sustentável e inclusivo.

Um documento do Pacto Global indica que, nas discussões relacionadas a indústria, comércio e serviço, um dos pontos a serem defendidos pelas empresas na Rio+20 é que é preciso aumentar e intensificar a contribuição do setor privado para a sustentabilidade. Para isso, é essencial demonstrar sua "habilidade comprovada" em fornecer soluções sustentáveis e disseminar a importância de a iniciativa privada, em qualquer lugar, incorporar princípios de responsabilidade social em suas estratégias, operações e cadeias de suprimento.

Outro ponto a ser defendido é a necessidade de haver maior contribuição entre as empresas - e entre estas e governos, organizações multilaterais e sociedade civil - para identificar e ampliar as tecnologias mais promissoras, particularmente as relacionadas a mudanças climáticas, energia, água e comida.

"As empresas podem ser e serão uma força significativa da sustentabilidade. As companhias já estão contribuindo para um futuro mais verde - todo dia elas inovam e criam soluções para produção, distribuição e venda de seus produtos e serviços", afirmou Holliday.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Economia Verde e Inclusiva na Rio + 20

Em maio de 2012, a cidade do Rio de Janeiro volta a sediar uma Conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável, desta vez, a denominada: Rio + 20. O tema é: “Economia verde, desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza”.

Vinte anos após a Rio/92 – ou Cúpula da Terra – está cada vez mais claro que os recursos do planeta são limitados e algumas fontes de vida estão se esgotando ou se reduzindo de forma dramática, como as áreas férteis de terra, a água potável, a capacidade de pesca, etc. O aquecimento global tem provocado mudanças climáticas que elevam o nível dos oceanos, ameaçando diversos países e cidades litorâneas, além de aumentar a acidez dos mares e lagos. A população mundial deve ultrapassar sete bilhões de habitantes em 2011, com um padrão de produção e consumo que é ecologicamente insustentável. A exploração de recusos naturais, a poluição e a devastação ambiental têm comprometido a capacidade de regeneração do planeta e provocado a extinção de inúmeras espécies animais e vegetais.

Em termos sociais, os benefícios do crescimento econômico não são divididos eqüitativamente, nem entre as nações e nem internamente aos países. Embora exista um esforço para atingir as metas estabelecidas nos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio, a pobreza, a ignorância, a violência e a injustiça social ainda são uma realidade na maioria dos países do mundo. Cresce a consciência de que as desigualdades sociais e a sobrecarga do sistema ecológico deve ser evitadas, mesmo não sendo tarefas fáceis.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Demandas ambientais levam tecnologia à indústria do cimento

Indústria investe cada vez mais em produtos menos impactantes e influencia positivamente em toda a cadeia da construção civil.

Por: Altair Santos

A indústria cimenteira do Brasil é uma das menos poluentes do mundo. Seja pelo uso de energia limpa, seja pela forma como extrai os componentes para a produção de cimento e seus derivados, ela emite bem menos CO2 se comparada a outros países. Isso não significa que não haja investimento em pesquisa para amenizar o impacto ambiental causado pelo setor. Pelo contrário, segundo o professor e pesquisador da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Vanderley Moacyr John, a indústria cimenteira é atualmente uma das áreas mais atentas à busca de avanços tecnológicos para se adequar às demandas ambientais.

Vanderley Moacyr Jonh

Na opinião do especialista, a mobilização da indústria cimenteira em direção às questões ambientais tem influenciado positivamente toda a construção civil. A começar pelo investimento em tecnologia do concreto. “Certamente, a próxima fronteira é a transformação do que chamamos de agregados, que hoje são produtos muito rudimentares, em um produto industrial mais sofisticado, com grande controle de forma, distribuição granulométrica, entre outros. É muito provável que o tamanho máximo dos agregados fique abaixo de 6mm nos próximos anos e que o número de faixas granulométricas se multiplique permitindo um maior controle reológico e economia de ligantes”, explica o professor.

Vanderley Moacyr John lembra que hoje a tecnologia do concreto está cada vez mais avançada. “Em boa parte do mundo não se faz mais concreto misturado em obra. Geralmente se usam os aditivos dispersantes ou plastificantes, que além das razões econômicas, podem reduzir o custo e trazer grandes benefícios ambientais. Atualmente, o concreto definido como mistura de clínquer, um pouco de sulfato, areia, brita e água é quase considerado um crime ambiental”, conta John. Ainda de acordo com o especialista, essa guinada tecnológica se deve muito à produção de cimentos mais sofisticados.

Os “cimentos genéricos”, analisa o professor da USP, estão fadados à extinção. “Eles vão perder espaço para cimentos que incorporarão aditivos dispersantes, fibras e teores variáveis de fíler com granulometria controlada. Para o futuro, certamente serão desenvolvidas soluções customizadas para nichos de mercado, com alto valor agregado”, revela Vanderley Moacyr John, acreditando que daqui a 10 anos até a nanotecnologia já estará fazendo parte da produção de cimento. “Em uma década ela será uma ferramenta poderosa para desenvolver novas soluções e otimizar os produtos”. completa.

Uma aplicação interessante já comercializada, ligado a nanopartículas, é a produção de concreto autolimpantecom partículas de Anatásio (TiO2). “Imagino que no futuro será possível deixar uma superfície de concreto aparente sem se preocupar com limpeza periódica”, afirma o especialista. Ele alerta, porém, que no Brasil os estudos sobre o uso de nanofibras de carbono em cimento ainda estão começando. A única pesquisa neste sentido está em desenvolvimento na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mas com pouca divulgação. “Existe o temor de que as nanofibras tenham riscos similares aos observados com o amianto. Por isso, as pesquisas ainda se desenvolvem sob sigilo”, revela Vanderley Moacyr John, convicto de que a tecnologia do cimento causará grandes transformações na construção civil.


fonte: cimento itambé